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1960: o trote que matou um soldado e fechou o corpo de bombeiros de União da Vitória

Por Marcelo Storck Jornalista/DRT 8108

Os trotes aos órgãos prestadores de serviços públicos de emergência são, ainda, muito presentes em nosso meio. Recentemente, em União da Vitória, alunos acionaram os bombeiros afirmando que a escola estava em chamas.

As guarnições deslocaram até a região do Rio D´Areia para saber que, na verdade, tratava-se de mais um alarme falso. Em Santa Catarina, apenas de janeiro a abril deste ano, o Corpo de Bombeiros já registrou havia registrado mais de quatro mil trotes ao número de emergência 193.


Aplicar mentiras em policiais e bombeiros é algo que não vem de hoje. Em União da Vitória trouxe até a situação de morte de um militar.

Ocorreu na década de 1960 quando o município dispunha de um destacamento de bombeiros. Sim, antes deste atual, inaugurado em 2014, União da Vitória tinha um quartel de bombeiros. Ele ficava na área ao lado da Escola Professor Serapião, onde hoje funciona a Secretaria Municipal de Saúde.

E foi dali que os bombeiros saíram naquele trágico dia para o atendimento a uma ocorrência falsa, atendendo um chamado feito a partir do distrito de São Cristóvão. Como na época só havia a Ponte Interventor Manoel Ribas, foi por lá que a viatura seguiu. Era costume naqueles tempos que alguns socorristas viajassem em pé, agarrados à traseira do caminhão.

Isso se dava para que, quando chegassem ao local da ocorrência, eles pudessem passar a agir o mais rápido possível no salvamento das pessoas e da situação. No entanto, um dos bombeiros que ali estava se desequilibrou quando o caminhão saiu da “Ponte Nova” e fez a curva do paredão de pedras. O soldado caiu do veículo e não resistiu aos graves ferimentos.


Esse lamentável episódio de morte de um bombeiro diante de um trote fez com que o Governador do Paraná, na época Nei Braga, ordenasse a remoção do quartel de bombeiros do município. Foi por isso que União da Vitória passou mais de 40 anos dependendo do Corpo de Bombeiros de Porto União por meio do Funrebom, hoje extinto, um consórcio intermunicipal.

A ocorrência foi, inclusive, matéria de uma revista comemorativa do Corpo de Bombeiros de Santa Catarina (imagem abaixo/acervo Albertino Mafra) em 1971. Importante destacar que passar trotes às corporações militares é considerado crime previsto pelo artigo 266 do Código Penal.


Além de ser considerada uma infração gravíssima pelo Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA). O infrator pode pegar de um a seis meses de detenção.

"Ademais, com as linhas ocupadas por conta de uma ligação falsa, uma vítima real de algum acidente pode deixar de ser atendida ou uma cidade ficar sem a equipe de plantão devido à tal irresponsabilidade", destacou Albertino Mafra, bombeiro da reserva e presidente da Associação dos Bombeiros de Santa Catarina.


União da Vitória só voltou a ter um quartel de bombeiros em 2014, na gestão do prefeito Pedro Ivo Ilkiu.


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