Buscar

Bebê espancado em Caçador é transferido de ambulância enquanto Arcanjo estava com governador



Os deputados Bruno Souza (Novo) e Jesse Lopes (PL) denunciaram nesta quarta-feira, 20, mais uma grave situação envolvendo o uso indevido do avião ambulância. Na segunda-feira, 18, um bebê de três meses, em estado grave após ser espancado, precisou ser transferido de ambulância de Caçador a Florianópolis.


Enquanto isso, o Arcanjo 06 estava na cidade transportando autoridades e, assim, impossibilitado de atender a criança. O bebê deu entrada no Hospital Maicé, em Caçador, na tarde de segunda-feira, 18. Devido ao quadro clínico gravíssimo, a equipe concluiu que o paciente deveria ser encaminhado de forma urgente para o Hospital Infantil Joana de Gusmão, na Capital.


No entanto, mesmo com o Arcanjo 06 em Caçador, a uso do governador Carlos Moisés da Silva, o bebê foi transferido de ambulância. Em estado grave precisou percorrer uma distância de 400 km de Caçador a Florianópolis, uma viagem de cerca de seis horas. Foi ainda feita baldeação no deslocamento, parando em Lages e Alfredo Wagner.

As equipes envolvidas no atendimento tentaram a transferência por transporte aéreo. Mas, pelo menos, o Arcanjo 06 estava indisponível, tanto para o dia 18 de julho, como para a manhã seguinte, 19. Após a negativa, o bebê foi transferido via terrestre para não perder o leito de UTI, em Florianópolis.


O Arcanjo 06 chegou na segunda-feira, 18, em Caçador e saiu às 1h da madrugada de 19 de julho, conforme descrito no Diário de Bordo do Arcanjo 06. (Diários abaixo).

“Enquanto uma criança brutalmente espancada precisava de transporte, o avião ambulância, que deveria estar disponível para uso da saúde, estava com o governador e alguns deputados fazendo campanha. Isso é absurdo”, denunciou o deputado Bruno Souza. O BEBÊ

Na segunda-feira, 18, o bebê de três meses deu entrada na emergência hospitalar com várias lesões corporais e parada cardiorrespiratória. O laudo pericial elaborado pelo médico legista apontou a existência de lesões cerebrais e corporais, além de lesões na região da face e da cabeça, nas costas e nádegas.

Um casal de cuidadores, uma mulher de 19 anos e o homem de 21, pagos para cuidar da criança enquanto a mãe trabalhava, foram presos em flagrante suspeitos de espancar o bebê. A investigação da Polícia Civil apurou que o casal cuidava de outras crianças ao mesmo tempo.

O casal foi encaminhado ao Presídio Regional de Caçador. Os dois vão responder pela prática do crime de lesão corporal de natureza grave.

O AVIÃO AMBULÂNCIA

Há meses o deputado Bruno Souza denuncia o uso indevido do avião ambulância pelo governador e secretários. Entre as utilizações constam deslocamentos para outros estados como Brasília e Bonito, no Mato Grosso do Sul, e viagens por autoridades que impossibilitaram a transferência de pacientes em estado grave.


O Arcanjo-06 é um avião ambulância utilizado pelo Corpo de Bombeiros no resgate de vítimas em situação grave. O contrato, com valor anual estimado em R$ 7,34 milhões, é assinado pela Secretaria de Estado da Saúde, mas são recorrentes os pedidos da Casa Civil do Estado para uso da aeronave, o que não corresponde com a finalidade da contratação do avião. Nesta semana, foi assinado processo para aditivo do contrato, passando para mais de R$ 9 milhões, em 12 meses.


Conforme Anexo I do Edital de Licitação, a locação da aeronave não se destina ao deslocamento de autoridades, mas sim para “execução de transporte aeromédico, operações de busca, resgate, salvamento, transportes de órgãos vitais, ações de Defesa Civil e apoio a órgãos públicos e dignitários.


O Termo de Referência do processo licitatório estabelece que o “transporte de dignitários é necessário em situações de catástrofe e calamidades que envolvem o Estado de Santa Catarina periodicamente”. Ou seja, o Termo que embasa a contratação da aeronave não permite o uso para deslocamento de autoridades em cumprimento de agenda ou compromissos pessoais.


Prisão

A Justiça atendeu ao pedido do Ministério Público de Santa Catarina (MPSC) e da Polícia Civil, e decretou a prisão preventiva do casal suspeito de agredir o bebê . O pedido foi feito durante a audiência de custódia.


“Todas as circunstâncias evidenciadas no processo dão conta da materialidade e autoria delitiva por parte dos suspeitos.

Aliados a esses fatores, o clamor do crime e a possibilidade de reiteração criminosa, especialmente contra outras crianças sob a guarda dos investigados, motivam o pedido de preventiva”, explica o promotor de Justiça da 4ª Promotoria de Justiça da Comarca de Caçador, Marcio Vieira.


A mãe da vítima é venezuelana e está trabalhando no Brasil. Ela contou que deixou o filho com o casal por volta das 10h20 e que recebeu uma ligação às 14h. Do outro lado da linha, a suspeita contou que levou o bebê para o Hospital Maicé, pois ele estava com dificuldades para respirar.


Com informações do JMais

1/7