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Cantare emociona e abre novo capítulo na história do canto coral regional

Por Marcelo Storck | Jornalista – DRT 8108



Me sinto feliz em poder ter vínculos musical e afetivo suficientes para, neste momento, enquanto jornalista, “tentar” descrever o que foi, sem dúvida, o mais fantástico espetáculo de canto coral que presenciei em toda nossa região. Foi ontem (30 de junho) no Cine Luz, em União da Vitória quando o Coral Cantare arrebatou a plateia com música de excelência.

Não tenho o mínimo receio de escrever que estamos diante de um nível que jamais ficará abaixo daquilo que por aqui, por vezes tenho escrito, parece que tem mais valor: os que vêm de fora.

Meu vínculo musical permite também que, enquanto jornalista, eu não trate o ocorrido como “mais um evento artístico” na programação local. Longe disso. Já o meu vínculo paternal com a filha Clara Maria, enquanto integrante do coro infantil, faz com que eu sinta na pele e na alma a importância da atividade que vai muito além desse orgulhoso produto cultural. Enfim, podemos bradar: temos um coral! Um não! São três!

O fofucho Coral Infantil Cantare iniciou suas atividades em 2022 e conta com 32 crianças com idades entre 7 e 11 anos. São 32 vozes infantis desenvolvendo a sensibilidade para a arte musical. “Com isso aumentam sua capacidade de apreender os conteúdos escolares, pois, com a música, estimulam melhor seus dois hemisférios cerebrais, e aprendem também concentração, memorização, senso de cooperação, pelo respeito ao tempo da música e do grupo, ingredientes necessários para a construção da responsabilidade consigo e com o outro. Sob estes estímulos, constroem atitudes de compromisso e disciplina, sem perder a espontaneidade e a graça... alegres e doces dons desta primeira etapa de seu ciclo vital” frisa o mentor dessa obra de arte, o maestro Régis Lemos.



Já o impressionante grupo Juvenil Cantare iniciou suas atividades em 2019, como coro infanto-juvenil, tendo feito sua estreia em dezembro do mesmo ano. Em 2022 voltaram aos ensaios na categoria Juvenil. São 27 cantores com idades entre 12 e 20 anos, que é a segunda etapa de nosso ciclo vital, momento de desafios e direcionamento de escolhas.



“A participação em um grupo coral contribui para a consolidação do gosto pela música de qualidade, espaço onde também podem expressar ideias, sentimentos, facilitando seu autoconhecimento e autoconfiança, fatores que ampliam e amadurecem seu processo de socialização”, destaca Lemos.




Por fim, o Cantare adulto, que conta com 27 cantores e iniciou suas atividades em 2020, com interrupção de um ano e meio devido à pandemia da covid. Retomou seus ensaios em agosto de 2021 quando fez duas apresentações.


“Muitos já têm história e convivência com a música, outros estão iniciando sua experiência com o trabalho vocal e com o canto coral, mas todos compartilham do gosto pela música e se beneficiam com o que ela propicia. Todos vêm desenvolvendo seus processos rítmicos, de memorização, sintonia e sincronia, conhecidos meios de estimulação de centros nervosos que, juntamente com a alegria propiciada pelos momentos de encontro, de socialização, trocas, risos, conversas, fortalecem sua qualidade de vida e enriquecem a cultura e arte em nossa sociedade” destaca a esposa do maestro, Tallyta Corradin Lemos que também atua como professora.


Quem assiste à apresentação do Cantare é presenteado com um repertório de fino gosto musical, com arranjos – inclusive do Régis – lindos, assim como está tudo em volta: vozes conectadas em perfeita harmonia, visual de palco leve e elegante, com equilíbrio sonoro entre vozes e instrumentos acompanhantes. Irretocável. O que Régis fez, além de toda essa verdade acima, transcende à música. Com seu sonho, realizado, ele deu a muitas pessoas que carregaram nas costas por muito tempo por aqui esse desejo do canto coral, enfim, um coral.

No lugar da truculência, o sorriso ímpar do Régis apresentando o conhecimento para confortar num ambiente proativo vozes que poderiam ter se perdido no tempo, espaço e tentativas. Um lar para vozes.

Para os que chegam, esses servem de referência comportamental e musical. Enfim, o Cantare, como escrevi no título, emociona a gente e abre novo capítulo na história do canto coral regional. Que seja tal qual a peça de encerramento do programa: um Ciclo sem fim! Felizmente hoje tem a segunda e última sessão dessa rodada. E com ingressos esgotados. Ainda bem que tenho os nossos.

Bravo. Bravíssimo!


Fotos: Itatiane Lemos

Colaborou : Maris Stelmachuk


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