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Entidades repudiam Lula por fala que associa o agro ao fascismo




Pelo menos sete entidades que representam produtores rurais repudiaram as declarações do ex-presidente e candidato Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em entrevista ao ‘Jornal Nacional’ (Rede Globo) na última quinta-feira (25), na qual classificou parcela do setor como “fascista” e “direitista”.


“Embora na falta de vocabulário ofensivo muitos lancem mão desse termo para atacar aqueles que com suas ideias não coadunam, a utilização indiscriminada da terminologia não altera o que ela de fato representa, mas apenas mera desonestidade argumentativa do emissor”, afirmou a Aprosoja-MT, entidade que representa cerca de 7,5 mil produtores mato-grossenses de soja e milho.


A Aprosoja-MT afirmou, ainda, que Lula em um “lapso de espontaneidade” fez uma “menção desonrosa” à parte dos produtores que não aderem ao seu projeto de governo. “Sobre este ataque vil e ofensivo, não há outra coisa a ser dita se não de que repudiamos veementemente e lastimamos que alguém que pense dessa forma sobre o seu próprio povo esteja postulando ao mais alto cargo da República.”


“Muito embora ao ser interpelado pelos entrevistadores o candidato Lula tenha tentado relativizar o conteúdo desrespeitoso de sua fala, dizendo que se tratava de apenas uma parte do setor, ele sabe muito bem que esse tipo de ofensa recai sobre todos, à medida que a única menção elogiosa ao setor se deu por meio de citação nominal de um mega agricultor, seu amigo pessoal”, disse a Aprosoja-MT, referindo-se ao fato de Lula ter citado o ex-ministro da Agricultura — e também produtor de grãos em Mato Grosso — Blairo Maggi.


A entidade afirmou ainda que talvez a resposta do apoio de muitos produtores ao presidente Jair Bolsonaro, do Partido Liberal (PL), esteja na defesa da liberdade econômica, do direito de propriedade e da segurança e criticou “ataques violentos” feitos aos produtores por “militantes” de Lula.


A SRB contestou as falas de Lula sobre as invasões do Movimento Sem Terra (MST) serem restritas a terras improdutivas e a associação do setor ao desmatamento. “O MST liderou invasões não apenas a propriedades rurais em diferentes regiões do Brasil, mas também a centros de pesquisa de empresas e instituições que são referências mundiais para o desenvolvimento da agropecuária”.


“Agro brasileiro vem avançando em práticas cada vez mais sustentáveis” — SRB

“A SRB também repudia generalizações imputadas ao setor, classificando como antagônicas às políticas atuais de meio ambiente. Sabemos que o agro brasileiro vem avançando em práticas cada vez mais sustentáveis, se adequando a rigorosas leis ambientais, e não podemos deixar que os produtores rurais sejam confundidos com criminosos”, afirmou a entidade em nota enviada à imprensa.


A Faesp afirmou que os produtores paulistas “estão longe do espectro fascista” e em prol da agropecuária sustentável. “A Faesp esclarece que os produtores demonstram — e continuam demonstrando — para toda a sociedade brasileira que defende a agropecuária sustentável, colocando em prática diversas ações e programas com esse objetivo”, mencionando a defesa pela própria entidade do Código Florestal Brasileiro e a contribuição para a segurança alimentar do país. “Acreditamos que as manifestações em contrário são fruto do desconhecimento a respeito do agronegócio brasileiro”, disse.


Nesse sentido, a Famasul descreveu a fala de Lula como uma qualificação “leviana” e “criminosa” do agronegócio brasileiro e que demonstra “completo desconhecimento” sobre o setor. “A Famasul subscreve as palavras do presidente da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), João Martins que, durante o Encontro Nacional do Agro, afirmou que ‘não há mais espaço neste país para uma equipe corrupta e incompetente, e muito menos para o retorno de um candidato que foi processado e preso como ladrão'”, afirmou a entidade.


“Os produtores rurais que fazem o agronegócio brasileiro são trabalhadores incansáveis” — Faec

Outra instituição e repetir a fala de Martins foi a Faec. “Diferentemente do candidato, que nega o assalto aos cofres públicos da nação quando esteve no poder — crime confessado por seus partidários —, os produtores rurais que fazem o agronegócio brasileiro são trabalhadores incansáveis. As palavras do candidato não mudarão a realidade. Ao mesmo tempo em que repudia suas declarações contra o agronegócio, a Faec conclama o candidato a deixar quem quer produzir e gerar renda em paz!”, defendeu a entidade que representa os produtores rurais cearenses.


Fonte: Canal Rural. Foto Reprodução Internet

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