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Ex-contadora da prefeitura de Major Vieira é condenada a mais de 50 anos de prisão



Marenize estava presa preventivamente em Itajaí - Reprodução Internet

A ex-contadora da prefeitura de Major Vieira, Marenize Brocco, foi condenada a 54 anos de cadeia por ter orquestrado um esquema de desvio de recursos públicos dentro da prefeitura na condição de contadora. As informações são do JMais, de Canoinhas. Seu marido, André Patrik Liskoski, acusado de ser seu comparsa, foi condenado a 33 anos de prisão. Eles ainda terão de devolver R$ 502 mil aos cofres públicos, valor que teria sido desviado entre 2013 e 2014, além de mais de R$ 500 mil a título de danos morais ao município. Os dois, contudo, ganharam o direito de recorrer em liberdade deste que é um dos processos que existe contra eles.


A sentença é de maio passado, portanto, antes do assassinato do ex-secretário de Obras de Major Vieira, Sérgio Roberto Lezan, um dos delatores de um segundo esquema criado pela contadora dentro da prefeitura. A morte de Lezan segue em investigação e a Polícia não descarta nenhuma hipótese de motivação. Os dois acusados de executar Lezan que estão presos, negam o crime.


Marenize foi condenada pelo crime de peculato – usar da função pública para se apropriar de dinheiro público. Ela foi absolvida, contudo, da acusação de inserção de dados falsos em sistema de informações.


Entre 2013 e 2014 ela é acusada de ter promovido desvios que chegaram a R$ 500 mil em apenas seis meses, conforme análise dos dados bancários do Município. Uma testemunha que teve acesso às contas fez uma denúncia ao Ministério Público. Essa testemunha foi chamada a colaborar com o MPSC em 2016, quando prestou depoimento.


Marenize teria realizado, conforme comprova documentação, 102 depósitos ilegais na sua conta e mais 49 nas contas do marido.Não há como André ter recebido os valores de modo legal porque ele não era servidor da prefeitura, muito menos tinha prestado um serviço ao Município.


DEFESA

Em sua defesa, André alegou que trabalhava para uma empresa que prestava serviços para a prefeitura de Major Vieira e que mediante um acordo com Marenize e seu antigo patrão, parte dos valores eram repassados por meio de sua conta. A argumentação não convenceu o juiz Eduardo Veiga Vidal, que sentenciou os dois. “Não há nos autos documento que comprove que a Prefeitura de Major Vieira tenha autorizado que o pagamento supostamente devido a terceiro fosse realizado por meio de conta de titularidade do réu”, anotou.


Marenize confessou em parte a prática delitiva. Ela disse que sempre foi honesta, mas que, por “ganância” acabou cometendo o ilícito. “Vendo a coisa fácil, acabei fazendo”, disse, reconhecendo que não fez o correto. Ela ainda admitiu que o dinheiro desviado prejudicou o Município. Sobre André, ela disse que transferiu R$ 140 mil para suas contas de modo ilegal, mas que o dinheiro era pagamento por serviço lícito prestado pelo patrão de André, que por ter complicações em sua própria conta bancária teria pedido a André para receber o valor devido pela prefeitura por meio da conta do marido da contadora, que concordou com o arranjo. Ela disse que notas fiscais desse serviço existem, mas elas não foram anexadas ao processo.


Marenize afirmou que o “dinheiro veio fácil e foi fácil”, garantindo que nem sua casa está quitada e que eventualmente trocava de carro, mas financiava. Ela negou que tivesse comércios em seu nome.

SENTENÇA

Na sentença, o juiz criminal Eduardo Veiga Vidal pondera a confissão e o fato de não haver antecedentes criminais contra os réus. “Embora tenha sido parcial a confissão, ou seja, conquanto não tenha alcançado qualificadoras ou causas de aumento de pena, nada impede seu reconhecimento, conforme precedentes”, anotou o juiz.

Apesar da alta condenação, os dois ganharam o direito de recorrer em liberdade porque já estavam soltos desde março deste ano, quando ganharam direito a responder ao processo em liberdade.

SEGUNDA ETAPA

Marenize e o marido respondem a mais um processo que apura acusação de desvio de recursos públicos da prefeitura de Major Vieira cometidos na atual gestão do Município. Este processo remonta a denúncia feita em setembro passado pelo prefeito Adilson Lisczkovski (Patriota) e o ex-secretário assassinado nesta semana, Sérgio Roberto Lezan.

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