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Irã condena a oito anos de prisão turista francês acusado de espionagem


Benjamin Briere está preso desde maio de 2020, após tirar fotos em área de acesso restrito.


A Justiça do Irã condenou a oito anos e oito meses de prisão o turista francês Benjamin Briere, que está preso no país desde maio de 2020. A informação foi divulgada por um advogado dele, Philippe Valent, que está na França e classificou as acusações como absurdas, segundo a agência catari Al Jazeera.


O turista foi preso sob as acusações de espionagem e de fazer propaganda contra o Irã, após usar um drone para tirar fotos aéreas de uma região de acesso restrito, nas proximidades da fronteira iraniana com o Turcomenistão. Em dezembro de 2021, ele iniciou uma greve de fome para protestar contra os maus-tratos que alega sofrer no cárcere. O protesto se mantém até hoje.


“Este veredito é o resultado de um processo puramente político e desprovido de qualquer base”, disse Valent em um comunicado. Ele ainda classificou o julgamento como um “embuste” e acrescentou que Briere “não teve um julgamento justo diante de juízes imparciais”, alegando ainda que não teve acesso à acusação completa.


O causídico citou ainda as recentes negociações do acordo nuclear entre o Irã e o Ocidente, das quais a França é parte. E disse que a prisão do turista é uma arma iraniana para obter vantagens no acordo. “É intolerável que Benjamin Briere esteja sendo refém de negociações de um regime que mantém um cidadão francês detido arbitrariamente apenas para usá-lo como moeda de troca”, disse Valent.


Pena de morte

De acordo com Saeid Dehghan, que advoga para Briere no Irã, no final do ano passado foram derrubadas outras duas acusações pesadas contra o francês. A primeira, de consumo de álcool, prevê punição por açoite. Já a segunda acusação derrubada pelos promotores, “corrupção na Terra”, é considerado um dos mais graves do código penal iraniano e poderia levar a uma sentença de pena de morte.


A irmã do acusado, Blandine Briere, por sua vez, chegou a publicar uma carta aberta ao presidente Emmanuel Macron, na qual dizia que as acusações contra ele são “sem fundamento” e que o irmão teria sido transformado em um “instrumento de negociação” pelo governo do Irã.


A Guarda Revolucionária do Irã prendeu dezenas de cidadãos de dupla nacionalidade e estrangeiros nos últimos anos, principalmente sob acusações de espionagem. Ativistas de direitos humanos acusam Teerã de realizar esse tipo de detenção para usar os estrangeiros como moeda de troca, na tentativa de obter concessões de países ocidentais que impuseram sanções econômicas ao Irã.


Briere é o único preso ocidental conhecido no Irã que também não possui passaporte iraniano.

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