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Nasce um novo A2 Portal

Atualizado: 23 de jan.



Apesar de renovado, nosso portal aposta em muito do que já deu certo nesses 11 anos de jornalismo


Por Marcelo Storck Por certo o leitor pode ter sentido estranhamento com relação à foto utilizada para ilustrar nossa reportagem "de capa" nesta abertura da nova fase do A2 Portal. Mas ela tem muito a ver com o que podemos definir entre motivação e sentimento.


Para começar, trata-se de um belo pôr-do-sol às margens do rio Iguaçu. Bastaria. A foto foi produzida em 4 de janeiro de 2022, justamente um dia antes de retirarmos do ar o antigo site. Caso pensado [a foto]. Afinal, o fim de um dia remete à conclusão de um período. E o firmamento, ao prenunciar a noite, traz a esperança pelo novo amanhecer, um novo dia que é quando as oportunidades de cumprirmos nossas missões nos são reapresentadas. Um novo período.


Naquele dia [da foto] o nível do rio Iguaçu estava bem baixo. Exatos 1.4m. Era como eu me sentia jornalisticamente, depois de um ano de 2021 avassalador. Vazio. Em meio à pandemia, cujos impactos sociais e econômicos dispenso citar neste editorial, somamos dois inexplicáveis momentos em que nosso site foi unilateralmente retirado do ar pelo provedor. O primeiro justamente em maio, mês em que deveríamos ter comemorado nossos 10 anos de atividades. Depois, novamente, em agosto, tornando o momento em que tentávamos ressurgir em "nova seca".


Era preciso mudar o curso. Fazer chover. E situações drásticas requerem atitudes de igual magnitude. Começamos, pois, a cavar. Depois que anunciamos a paralisação, em 5 de janeiro, iniciamos o trabalho de reconstrução (essa é a palavra mais adequada, verdadeira e com a qual sou profundamente ligado) do nosso sítio. Mesmo sabendo que, para isso, abriríamos mão de tudo que escrevemos antes. Sim. Todas as reportagens dos 10 anos iniciais precisaram ser descartadas. Havia meio técnico para manter? Havia. Não havia condições financeiras e comerciais para tal.


Encorajados, definimos layout revista para o site, pois somos oriundos do jornalismo impresso do qual às vezes, sinceramente, sinto imensa saudades (daí a brincadeira com "Mereceu a Capa" numa tela de jornalismo digital...). Uma vez no papel, não precisa de servidor para armazenar à posteridade... Sinto saudades dos meus dedos cheios de tinta ao manusear o impresso. Do cheiro de cada nova edição das segunda-feiras. Coisa natural de quem está no jornalismo desde os tempos da linotipo. Mas é preciso andar para frente. Partimos, então, para a reafirmação do conteúdo: o quê e como queremos noticiar?


Assumo que, depois de ter sido promovido a pai, meu olhar jornalístico mudou. Pode ser coincidência temporal. Mas votei em continuarmos a evitar notícias pesadas, policiais e de acidentes em troca de audiência pois, entendemos, o mundo está cheio de coisas boas para se mostrar, mesmo que falte quem queira ler. Daí, também, nosso bordão: "Não custa estar bem informado" que, propriamente, não se refere exclusivamente à quantidade de informação, mas sua procedência e qualidade.


É óbvio que as "notícias ruins" aparacerão, mas do modo que aprendemos abordar: com cautela e diante da profunda análise sobre suas reais necessidade e importância social. Deixa eu exemplificar melhor. Quando noticiamos eventos negativos, há algo de importante que é a experiência sobre tal fato. Isso se dá na esperança de que o seu índice de repetição seja diminuído, ganhando, assim, a coletividade.


Como reconstruir não excluiu aproveitar, mantivemos nosso olhar acerca do global. Eis que definimos as seções Mundo | Brasil | Regional | Colunistas. Observe, leitor, que não há "local". Optamos por colocar os assuntos de nossas queridas cidades irmãs no regionalismo, juntamente com os municípios que geograficamente nos cercam. Note, também, que não dividimos as editorias em seções (policial, esporte, saúde, educação, cultura, política, etc). Isso porque decidimos trabalhar com a inter-relação destas. Afinal, os setores sociais se completam. Deveriam. E, é claro, mantivemos nossas colunas. Eu assinarei às segundas (a partir deste editorial), quartas e sextas. Às quintas-feiras, Alisson Micoski traz notícias de Brasília. E como reconstruir não excluiu reaproveitar, fomos atrás de seções que marcaram época aqui no A2. Por isso, duas colunas que deram muito certo voltam ao nosso cotidiano: Prá lá dos Morros, que localiza e conta por onde anda e como vai quem deixou nossa terrinha. Histórias como aperitivo preserva os contos e boatos de nossos antepassados. E nas terças-feiras... Sim! Ele aceitou e voltou! Toda irreverência do João do Sabão está de volta ao A2 nas mesmas condições "contratuais" de antes: ele não mostra a cara nem o crachá, ainda mais agora que seus negócios vão de vento em popa. Mas entendeu nosso momento, pelo que novamente agradeço.

Finalizando as seções, comprovando que muito do futuro precisa do nosso passado, segmentamos a seção O Curió* que traz notícias sobre invenções, descobertas e arqueologia. Outro aspecto importante é o formato TV online. Nosso canal no Youtube volta a ser abastecido por meio de reportagens em vídeo.

"Penso que a melhor fase do A2 está iniciando justamente agora. Evoluímos até mesmo mediante imprevistos. E mediante ao que era previsível: a experiência nos torna mais maduros a ponto de sabermos melhor selecionar"

A foto, de novo

O desfecho desse meu editorial "inaugural" volta à foto do majestoso Iguaçu. Parafraseio Yvonich Furlani, autor do hino de Porto União: "ao longo do teu rio imenso, ou entre teu povo tão sincero, quanta lembrança, quanta emoção". Vamos, com todas as verdades, construir as próximas.

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* Curió em tupi guarani significa "Amigo do Homem". Observador, gosta de viver perto das aldeias. Atualmente, assim como muitos outros pássaros brasileiros de canto refinado, encontra-se ameaçado de extinção, ironicamente em decorrência da caça e comercialização que visam o mercado dos criadores ilegais e da destruição de seus ambientes naturais.

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