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O tratamento da asma - e da alma -com o estudo de instrumentos de sopro




É muito comum pessoas sofrerem de asma brônquica. Daí a tentativa de um tratamento diferente e agradável que é praticar instrumentos de sopro.


Por Marcelo Storck Jornalista | DRT 8108


Na década de 2000, o saxofonista Ricardo Penteado, formado em matemática pela Faculdade de Ciências e Letras de União da Vitória (FAFI), concluiu a monografia sobre “Exercícios com instrumentos musicais de sopro no tratamento de asma brônquica”, que fez partindo de experiência própria, uma vez que sofria de sérias crises da doença.

Orientado pelo professor Bernardo Knapik, o trabalho do músico foi destaque entre a classe e acabou na biblioteca daquela faculdade. E restou justificado pelo simples fato de que Pitágoras já havia unido matemática e música certa vez.


Existem muitos casos de doenças respiratórias como a asma brônquica acentuadas devido às sucessivas e bruscas mudanças climáticas que ocorrem em regiões onde a umidade relativa do ar é muito elevada. Isso se dá com maior freqüência nos meses que compreendem o outono e inverno, ou seja, de março a setembro.


Segundo o estudo, um dos fatores que influenciam no comportamento dessa hipersensibilidade alérgica é o clima no período de junho a julho onde as temperaturas baixam e variam muito e, então, os casos aumentam em média 40% em regiões como o sul paranaense.


Os tratamentos normalmente são feitos por meio de inalações acompanhadas do uso de medicamentos. Porém, se for realizado um tratamento alternativo, antes e depois das crises, a resistência aumenta.


Esse tratamento pode ser feito com a prática de um instrumento musical de sopro, visando aumentar a capacidade respiratória e exercitar os brônquios. Tocando-se regularmente instrumentos musicais de sopro, ocorre a diminuição da incidência de crises de asma brônquica. Salvo se os pacientes forem fumantes.


“Sofria de asma brônquica desde o nascimento e os tratamentos que me foram atribuídos eram bem tradicionais e, é óbvio, medicamentos. O pediatra que me tratava recomendou exercitar os brônquios soprando em balões de festa de aniversário. Segundo ele, isso diminuiria a resistência das vias respiratórias e faria com que a capacidade pulmonar também aumentasse. Por isso resolvi pesquisar sobre esse assunto”, disse Ricardo.

Atualmente ele vive em Jaraguá do Sul (SC), onde atua coo professor e músico.

“Uma das recomendações dos médicos a esse respeito é passar principalmente os meses de inverno numa região litorânea onde o clima é mais ameno e o frio não é tão intenso, além da poluição ser relativamente menor. Por ter associado o treino de soprar em balões, aos treze anos comecei a aprender tocar saxofone. Então, minhas crises, depois de dois ou três anos, diminuíram sensivelmente”, afirma.


Mecânica da respiração



Na respiração, existem dois processos envolvidos que surgem involuntariamente: a inspiração e a expiração. Sendo assim, John B. West, autor de vários livros para estudantes de medicina e profissionais aliados de saúde, afirma que “O mais importante músculo da inspiração é o diafragma. O diafragma consiste de uma camada muscular em forma de cúpula, inserida nas últimas costelas, que quando se contrai, o conteúdo abdominal é forçado para baixo e para frente, aumentando o diâmetro vertical da cavidade torácica.


Na respiração normal em repouso, o nível do diafragma se move cerca de 1 centímetro, mas em inspiração e expiração forçada, pode ocorrer uma excursão de até 10 centímetros”.

A expiração é o processo pelo qual eliminamos todo o ar armazenado pela inspiração, exceto o volume residual que permanece, pois não o conseguimos eliminar.


“É quase óbvio dizer que o ar é o motor principal do som do instrumento de sopro. O tipo de respiração mais correta para se empregar no estudo de qualquer instrumento de sopro é a chamada tecnicamente de respiração longa ou abdominal. Consiste em trabalhar a respiração com o abdômen e não encher o peito de ar como muitos costumam fazer. Esta técnica faz com que se consiga emitir uma coluna contínua de ar, que diminui a oscilação do som, sem falar do que a sonoridade aumenta quase que o dobro” disse Ricardo, lembrando que alguns exercícios utilizados para o estudo da respiração correta para a execução de um instrumento de sopro são benéficos.


Com a colaboração de alguns membros da equipe médica do Hospital São Braz, de Porto União (SC), foi possível conseguir algum material bibliográfico que levantasse alguns subsídios coerentes ao problema levantado. Desta pesquisa também participaram músicos da Banda Marcial Santos Anjos. Ricardo entrevistou músicos na faixa etária dos 13 aos 19 anos, com um tempo de estudo prático variando entre três e quatro anos, não-fumantes e que alegaram não terem crises com muita freqüência.


Conclusão

“Checando os parâmetros dos dados apresentados acima, conclui-se que faltam alguns subsídios mais técnicos para se afirmar a hipótese levantada. Quem se submete ao tratamento, tem que ter em mente que esse exercício trará resultados a longo prazo e que exige uma disciplina um tanto quanto rigorosa.


Mesmo não concluindo que a hipótese possa ser verdadeira, recomendo o estudo do instrumento de sopro, pois além de ser muito agradável, possui uma série de características benéficas principalmente no que diz respeito à respiração” finalizou Ricardo, entre uma canja e outra no seu sax tenor.

Onde estudar Além de professores particulares, é possível recorrer às estruturas de bandas de igrejas ou públicas que oferecem o estudo - e muitas vezes até o instrumento - gratuitamente. Nas Gêmeas do Iguaçu, além de diversos templos, existem aulas em diversos grupos, entre os quais o Instituto Sempre Incentivando Música (SIM).

Experimente! Como vemos, fará bem para a saúde e para a alma!




Fontes: Ricardo Penteado | Arquivo Biblioteca FAFI União da Vitória - PR |

John B. West “inspiração e a expiração” | Revista Magníficas BR (Acervo)

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