Buscar

Pessoas em situação de rua ganham espetáculo do Festival de Teatro de Curitiba



O Festival de Teatro de Curitiba, que tem apoio do governo estadual por meio da Copel e da Sanepar, preparou, em parceria com a Fundação de Ação Social de Curitiba (FAS), apresentações culturais para uma plateia especial: cerca de 100 pessoas em situação de rua puderam viver um dia diferente, com arte e alegria. A ação aconteceu sábado (02), embaixo do viaduto do Colorado e ao lado da Casa de Passagem Solidariedade, onde funciona um novo ponto do Mesa Solidária, programa da prefeitura da Capital que oferece refeições gratuitas à população em risco social.


A apresentação teatral teve como público pessoas que geralmente não têm acesso a teatros. “Trouxe alegria para a gente e era o que precisávamos. Eu amo arte”, afirma Paulínia, uma das espectadoras.


O artista circense Eduardo Stefano Zanquetti, do Circo Hartyn, pela primeira vez se apresentou para um público formado apenas por pessoas em situação de rua. Uma experiência gratificante, segundo ele. “A alegria e o circo não estão apenas dentro de uma lona. Estão em qualquer lugar. Foi emocionante. O público estava com energia total e contagiante”, afirma.


Para o artista Vitor Vinicius Gregório da Silva, do Circo Vittaly, oferecer arte a esse público representou uma experiência única. “Você não sabe qual a história da vida deles, se perderam pai, mãe, ou caíram nas drogas — situações a que qualquer um está sujeito. Ninguém é melhor que ninguém nesse mundo. E quando vem alguém e os trata de igual para igual, para eles é muito gratificante e para nós também”, destaca.


Segundo Vitor, a plateia do Mesa Solidária se mostrou mais receptiva e sorridente comparada ao público que frequenta espaços fechados. “Ontem, fizemos espetáculo no circo para um público muito mais vazio de alma. As pessoas aqui se emocionaram de verdade e nos deram valor. A palma é sempre um incentivo para o artista e, quando você vê essa energia, recebe isso e consegue fazer um espetáculo ainda mais bonito”, destaca.

Emocionado, ele afirma que a arte pode transformar a vida dessas pessoas. “Eles não queriam estar aqui. Para eles, uma programação como essa pode ser uma inspiração”.


De acordo com a coordenadora da Casa de Passagem Solidariedade, Viviane Wengerzynski, a ação possibilitou que as pessoas tivessem entretenimento, algo raro para esse público. “Esses momentos são ótimos, pois é uma população que não tem acesso ao teatro. São excluídos. E o festival veio no espaço em que eles estão e frequentam. E como o espaço é deles, é algo que proporcionou um momento que, de outra forma, seria difícil que tivessem acesso”, complementa.

1/6